Arquivo mensais:fevereiro 2013

Happiness Canvas na Vila Serena

O Happiness Canvas é uma ferramenta que visa facilitar a compreensão do que deixa as pessoas felizes ou tristes no trabalho. Através desta ferramenta é possível apurar o índice de felicidade de uma equipe, como também determinar ações que resolvam os problemas que fazem do trabalho um lugar de tristezas.

Seguindo a sugestão de alguns amigos, resolvi mostrar aqui no blog alguns casos de aplicação do Happiness Canvas. Neste post, conto como foi a aplicação do Happiness Canvas na Vila Serena.

Vila Serena

A Vila Serena é uma clínica particular para tratamento de dependentes químicos que conta com uma equipe de 10 funcionários. A clínica fica localizada em São João da Boa Vista (SP) e colabora com a recuperação de seus pacientes há mais de 30 anos.

A realização desta dinâmica foi especialmente motivadora para mim, pois é um contexto de trabalho completamente diferente do que estou acostumado. Pela própria natureza da função, a equipe da Vila Serena é formada por pessoas sensíveis e compreensivas. Mesmo assim, o Happiness Canvas revelou uma série de problemas que a equipe evitava externalizar para não prejudicar os pacientes.

Vila Serena

Todas as quartas-feiras a equipe de funcionários se reúne com a administração da clínica para tratar de problemas e alinhar o trabalho que deve ser feito. Entretanto, na última quarta-feira, dia 20 de fevereiro, a administração cedeu esse espaço para que a dinâmica do Happiness Canvas pudesse ser realizada.

A reunião aconteceu num local muito tranquilo, em baixo de árvores e com a participação de todos. Minha atuação limitou-se a facilitar a dinâmica e conduzir as discussões para ações construtivas.

Na primeira etapa, expliquei o que era o Happiness Canvas para todos os participantes e a importância de avaliar a felicidade das pessoas no trabalho. Logo em seguida, distribuí um post-it para cada membro da equipe e pedi para que avaliassem a felicidade no trabalho numa escala de 1 a 5. Depois de 3 minutos, recolhi os post-its e coloquei nas respectivas posições no Happiness Canvas. O resultado mostrou que o índice médio de felicidade dos funcionários é de 3.8, o que representa um ótimo resultado.

Happiness Canvas - Vila Serena

Dando seqüência, pedi para que os participantes escrevessem sobre o que colabora para que se sintam bem no trabalho. As principais respostas foram: “a espiritualidade do meu trabalho“, “a gratidão das pessoas” e “os colegas de trabalho“. Conversamos sobre cada item elencado e as pessoas concordaram a respeito da maioria das coisas.

Então, pedi para que escrevessem sobre o que colabora para que se sintam mal no trabalho. Foi quando algumas coisas que estavam guardadas começaram a aparecer. Itens como “a falsidade das pessoas”, “fofoca”, “salário injusto” e “atraso no pagamento” mostraram como a tristeza é criada a partir de problemas do cotidiano e de situações administrativas mal resolvidas. Conversamos bastante sobre os problemas. As pessoas desabafaram e deixaram claro os motivos que as levaram a elencar cada item. Foi um alinhamento de todos os problemas que incomodam a equipe no trabalho.

Por fim, pedi para que todos refletissem sobre o que poderia ser feito para aumentar a felicidade no trabalho. O item de maior destaque foi “melhorar a união da equipe”. Questionei os participantes sobre o que poderia ser feito para melhorar a união da equipe. Foram sugeridas duas ações: uma reunião semanal só entre os funcionários, para que eles pudessem conversar e alinhar todos os problemas antes da reunião com administração. Também surgiu a proposta de retomar uma reunião que eles denominam de “meditação”. Nessa reunião, os funcionários compartilham seus problemas pessoais e suas dificuldades numa roda. É uma dinâmica semelhante a que fazem com os pacientes, porém participam apenas os funcionários. O objetivo da reunião de meditação é melhorar a compreensão, o relacionamento e a confiança entre as pessoas da equipe.

Conversamos a respeito de outros problemas também, inclusive os de ordem administrativa. Todos eles foram levados ao conhecimento da administração da Vila Serena para que possam ser resolvidos.

Os funcionários da Vila Serena se sentiram muito bem depois da aplicação do Happiness Canvas e agradeceram a minha participação como facilitador. Prometeram ainda utilizar o Happiness Canvas todos os meses e avaliar constantemente a felicidade no trabalho.

Gostaria de agradecer o Adriano Ferreira e a administração da Vila Serena pela oportunidade de colocar o Happiness Canvas em ação. Espero que a equipe consiga resolver seus problemas e ser feliz  no trabalho que faz, que é digno do elogio de toda a sociedade e da gratidão das famílias que enfretam problemas com dependência química.

Felicidade no Planejamento Estratégico

Planejar estrategicamente a atuação de uma empresa requer muito esforço e compreensão do negócio e do mercado. Para alcançar uma visão, cumprindo uma missão e respeitando valores e princípios, uma empresa deve analisar diversas características internas e externas para estabelecer um plano com objetivos e metas que orientem a sua atuação no mercado.

Não é tão difícil realizar o planejamento estratégico de um negócio. Existem no mercado ferramentas e técnicas que auxiliam gestores nesse processo de exploração, análise, síntese e criação de um plano. Autores como Michael Porter, Peter Drucker e Henry Mintzberg mostram em seus livros diversas abordagens de planejamento estratégico. As informações necessárias estão acessíveis através de pesquisas de mercado e da internet.

Entretanto, a maioria dos planejamentos estratégicos falham em sua execução porque muitos gestores esquecem que são as pessoas da empresa quem executam aqueles planos que foram cuidadosamente elaborados. Sem o comprometimento das pessoas com o planejamento estratégico, todo o esforço pode ser em vão. E não basta apenas envolver as pessoas no planejamento estratégico: é preciso colocá-las no centro deste processo, ao lado do negócio, e considerar seus desejos e sentimentos em relação ao trabalho.

Se você já leu o artigo sobre a Felicidade do Trabalho, entendeu que pessoas tristes dificilmente conseguirão resultados espetaculares. Então, por que não incluir a felicidade das pessoas como ponto chave de um planejamento estratégico? Se conseguirmos conciliar a felicidade das pessoas com todas as outras necessidades e objetivos da empresa, não teríamos resultados melhores?

Análise HS+SWOT

Um jeito simples de considerar a felicidade das pessoas no planejamento estratégico de uma empresa é utilizando a Análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunites and Threats – Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças). Esta é uma ferramenta consagrada no mercado e muito utilizada no planejamento estratégico de negócios. A partir dela, uma empresa pode analisar suas forças e fraquezas (aspectos internos), como também as ameaças e oportunidades do mercado (aspectos externos) e a relação entre essas perspectivas.

Para incluir as pessoas na análise SWOT, basta adicionar mais duas perspectivas: Felicidade (happiness) e Tristezas (sadness). Essas novas perspectivas mostrarão o que ajuda e o que atrapalha, do ponto de vista das pessoas, na execução com satisfação do trabalho. Essa é a Análise HS+SWOT.

Sugiro realizar a Análise HS+SWOT de forma participativa, envolvendo todas as pessoas da empresa. Esse trabalho pode ser dirigido por duas ou três pessoas a partir de questionários, entrevistas, grupos de discussão, pesquisas de mercado e outras abordagem para levantar as informações necessárias para a análise. Recomendo utilizar o Happiness Canvas para descobrir o que deixa as pessoas felizes e tristes na empresa.

Para facilitar esse trabalho criei o Diagrama da Análise HS+SWOT, que pode ser impresso numa folha A2 e fixado no ambiente de trabalho para reunir as informações coletadas. Você pode utilizar post-its para escrever cada informação e organizá-las nos seus respectivos quadrantes.

[DICA] Deixar esse tipo de informação exposta de forma bem visual no ambiente de trabalho é de suma importância para favorecer a participação de todos.

Diagrama da Análise HS+SWOT

Perceba que o diagrama está dividido em 3 aspectos: Pessoas, Negócios e Mercado. No aspecto Pessoas, o quadrante da Felicidade deve reunir todas as coisas que deixam as pessoas felizes, que colaboram para um trabalho bem feito e para a satisfação de todos com a empresa. Já o quadrante das Tristezas deve reunir tudo que deixa as pessoas tristes, impedindo que elas façam um bom trabalho ou que gere insatisfação em relação ao negócio.

Nos aspectos Negócios e Mercado, os quadrantes de Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças devem reunir as mesmas informações propostas pela análise SWOT tradicional, ou seja, informações sobre os pontos fortes e pontos fracos da empresa, as oportunidades de mercado que favorecem o desenvolvimento do negócio e as ameaças externas que podem comprometer os resultados desejados pela empresa.

Veja abaixo um exemplo do diagrama da análise HS+SWOT preenchido (clique na imagem para ampliar). As informações são fictícias, mas exemplificam cada quadrante.

Exemplo de utilização do Diagrama da Análise HS+SWOT

Depois de obter todas as informações necessárias, reúna as pessoas da empresa em pequenos grupos e faça as seguintes perguntas para tentar obter novas ideias e estabelecer ações que melhorem o negócio:

  • O que deixa as pessoas felizes e que sustenta as principais forças da empresa?
  • O que deixa as pessoas felizes e que ajuda a superar as fraquezas da empresa?
  • O que deixa as pessoas tristes e que diminui as forças da empresa?
  • O que deixa as pessoas tristes e que colabora para as fraquezas da empresa?

Seguindo o mesmo raciocínio, você também pode relacionar o que deixa as pessoas felizes ou tristes no trabalho com as oportunidades e ameaças do mercado. Reunir as pessoas para responderem e debaterem sobre essas perguntas é tão importante quanto considerar sua felicidade no processo do planejamento estratégico.

Por fim, além de criar planos para posicionar adequadamente a empresa no seu mercado e tentar alcançar seus objetivos, também é necessário criar ações para transformar os pontos de tristezas em pontos de felicidade. Não existe planejamento estratégico que resista a um grupo de pessoas tristes. Por outro lado, um grupo de pessoas felizes pode alcançar ótimos resultados sem necessariamente fazer um planejamento estratégico.

Felicidade no trabalho

Segunda-feira é tradicionalmente o dia mais triste da semana para grande parte das pessoas. É o dia de voltar ao trabalho, o que para muitos representa a própria tristeza. Apenas na sexta-feira o dia voltará a ser feliz… e numa hora especial: happy hour. Se trabalhar é algo parecido com isso para você, saiba que, independente de quanto você ganha, não vale a pena ser triste no trabalho.

Desde a revolução industrial e da criação da administração científica por Taylor, o trabalho nunca foi pensado como um lugar onde as pessoas são felizes fazendo o que gostam e se sentido realizadas pelos resultados que alcançam com o seu esforço físico e/ou criativo. Uma empresa sempre foi vista como uma máquina de dinheiro, e as pessoas são tratadas como mais um tipo de recurso para viabilizar a geração de riqueza.

Entretanto, se todos buscamos a felicidade ou tentamos levar uma vida feliz, então devemos repensar nosso paradigma de trabalho. E essa mudança começa pela cultura da empresa, que precisa ver o lucro como uma conseqüência natural do trabalho realizado por pessoas felizes.

Existem vários exemplos de empresas que já pensam assim. No livro Delivering Happiness, Tony Hsieh, CEO da Zappos (empresa pioneira na venda de calçados pela internet e que foi adquirida por U$ 1 bilhão pela Amazon), mostra como é possível criar uma cultura voltada para a felicidade, conciliando lucro e paixão. Outro exemplo é a Apsen, uma indústria farmaceutica nacional que existe há mais de 40 anos. No livro A empresa sorriso, Floriano Serra apresenta as idéias que utilizou para implantar a gestão do bem na Aspen, fazendo com que a empresa fosse eleita como uma das melhores empresas brasileiras para se trabalhar por 5 anos consecutivos.

Empresas como a Webgoal e a Bluesoft também cultivam a felicidade no trabalho a partir de uma cultura fortemente focada em pessoas. Essa cultura pode ser percebida no ambiente de trabalho destas empresas e também na forma como fazem a gestão dos seus negócios, baseada na auto-organização e no auto-gerenciamento das pessoas.

Índice de Felicidade

A maioria das empresas tradicionais utilizam a famosa pesquisa de clima para descobrir como as pessoas estão se sentindo em relação ao trabalho. Geralmente, são pesquisas bem estruturadas e que tem como objetivo analisar diversos fatores que contribuem com a tristeza ou felicidade das pessoas.

Entretanto, existem formas mais humanas, simples e diretas de expor o sentimento das pessoas em relação ao trabalho. Henrik Kniberg apresentou em seu blog o Crisp Happiness Index, um jeito criativo de medir o índice de felicidade de uma equipe. Com base nas idéias do Henrik e em algumas experiências que tive nas equipes com as quais já trabalhei, criei algumas ferramentas para facilitar esse processo de descoberta da felicidade das pessoas no trabalho e deixá-lo ainda mais participativo e cativante.

Happiness Canvas

O Happiness Canvas é um diagrama que tem como objetivo ajudar as pessoas de uma empresa ou de uma equipe a externalizarem seus sentimentos em relação ao trabalho, classificando seu grau de felicidade numa escala de 1 a 5.

Happiness Canvas

Para utilizá-lo, basta fazer o download do Happiness Canvas, imprimir numa folha A2 e fixá-lo na parede, reunir as pessoas e pedir para que todos reflitam sobre como se sentem em relação ao trabalho que fazem. Cada pessoa utiliza um post-it para representar no canvas seu grau de felicidade no trabalho. É interessante que todos colem seus post-its ao mesmo tempo, para evitar qualquer influência nas escolhas. Esse primeiro resultado já irá mostrar uma visão geral sobre o sentimento das pessoas, mostrando se a maior parte está feliz ou triste com o trabalho.

Para detalhar melhor esse sentimento, peça para as pessoas responderem, também em post-its, as seguintes perguntas: “O que faz você se sentir bem no trabalho?“, “O que faz você se sentir mal no trabalho?” e “O que pode aumentar sua felicidade no trabalho?“. Depois que todos colarem seus post-its no Happiness Canvas, leia as respostas, promova uma discussão sadia entre as pessoas e determine com elas ações que podem ser realizadas para deixá-las mais felizes em relação ao trabalho.

Exemplo de utilização do Happiness Canvas

Você pode também calcular o índice de felicidade a partir da média aritmética entre o número de post-its e a escala de pontos de 1 a 5 para acompanhar a evolução da satisfação de uma equipe com o passar do tempo. Recomendo também indicar as principais ações tomadas e que influenciaram no grau de felicidade das pessoas. Veja um exemplo do Índice de Felicidade na imagem a seguir:

Happiness Index

Happiness Poker

Uma outra forma lúdica de descobrir como está a felicidade das pessoas no trabalho é utilizando o Happiness Poker. A idéia é similar a do Happiness Canvas, só que mais indicada para equipes que possuem uma comunicação melhor entre os seus membros e que conseguem expor seus sentimentos de uma maneira mais madura.

Happiness Poker

Faça o download do modelo das cartas do Happiness Poker, imprima, recorte e distribua um conjunto de cartas para cada participante. Em seguida, estabeleça o contexto no qual a felicidade será avaliada através de uma pergunta: “Qual é o seu grau de felicidade com o projeto x?“, “Como você está se sentindo em relação ao trabalho que faz?” ou “Como você se sente em relação a empresa?“. Depois que cada participante escolher uma carta que represente o seu grau de felicidade, todos mostram ao mesmo tempo as suas escolhas.

Visualizando o resultado, os participantes são incentivados a falarem o que os fazem felizes, o que os fazem tristes e o que pode ser feito para melhorar esses sentimentos. As ações que visam aumentar a felicidade devem ser anotadas e amplamente divulgadas na empresa. Você pode também calcular a média dos pontos de felicidade para cada pergunta, criando um índice de felicidade que pode ser atualizado em futura sessões de Happiness Poker.

Experimente

Para finalizar, gostaria de propor um desafio. Antes de fazer qualquer comentário sobre este post, tente realizar uma destas duas dinâmicas com a sua equipe ou na sua empresa. Depois, compartilhe aqui o quanto as pessoas e você ficaram surpresos com os resultados e também suas percepções sobre essas ferramentas. Sinta-se à vontade para compartilhar críticas construtivas e sugestões de melhorias para o Happiness Canvas e o Happiness Poker.