Um blog sobre gestão

Há alguns anos, tenho estudado e experimentado diferentes formas de se fazer gestão. Quando iniciei a Webgoal junto com os meus sócios, nossa maior vontade era criar uma empresa diferente em relação ao desenvolvimento de software e a gestão de projetos. Sendo assim, passamos a utilizar métodos ágeis em todas as nossas atividades, conseguindo ótimos resultados e mudando nossa compreensão sobre o trabalho. A partir disso, comecei a perceber que a mudança deveria ser muito maior, alcançando também a maneira de fazer a gestão do nosso negócio como um todo.

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Tarsila do Amaral – Operários

Olhando para trás, podemos notar que as idéias da administração científica de Taylor ainda predominam na maioria das empresas. As pessoas são dividas em dois grupos: as pessoas que pensam sobre o que a empresa deveria fazer e as pessoas que são responsáveis por executarem o trabalho que foi pensado pelo primeiro grupo. Temos a divisão funcional da empresa em cargos e departamentos, incentivando a especialização profissional das pessoas. Para completar, hierarquia subsidiada por comando e controle mantendo o poder nas mãos de poucas pessoas dentro da organização. Podemos chamar essa abordagem de Gestão 1.0.

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Quadrinhos dos anos 10 – Malvados.com.br

Cerca de 50 anos após Taylor propor essa abordagem de gestão, as empresas não-industriais que adotaram esse modelo começaram a sentir seus efeitos colaterais. O contexto mudou, os mercados tornaram-se mais dinâmicos e a quantidade de informação aumentou. A competição não era mais só pela eficiência, mas também pela diferenciação em produtos e serviços. A partir de então, foram criados métodos e ferramentas para tratarem os inúmeros sintomas de não considerar as pessoas como parte importante de um negócio: balanced scorecard, six sigma, theory of constraints, total quality management, PMBOK, etc. Apesar de alcançar bons resultados, a essência da gestão não mudou. Essa é a Gestão 2.0.

Hoje vivemos num mundo muito mais complexo, com muita informação sendo gerada e consumida a cada segundo através da internet. O mercado mudou junto com o surgimento de novos tipos de empresa. A aquisição e aplicação de conhecimento tornou-se a base de qualquer negócio. Já não é possível separar o pensar do fazer nas atividades que realizamos no dia-a-dia. A gestão das máquinas deu lugar à gestão das pessoas.

O comando e controle tornou-se um câncer para as empresas e deve ser substituído pela colaboração e autonomia. Estruturas hierárquicas estão dando lugar a estruturas em rede, com o poder diluído entre todas as pessoas da empresa. A inovação passou a ser uma condição básica para a sobrevivência das empresas. A realização e felicidade das pessoas são tão importantes quanto a rentabilidade de um negócio. O lucro passa a ser visto como uma conseqüência e não mais como o objetivo final de uma empresa. É nesse contexto que surge a Gestão 3.0.

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Jurgen Appelo – The Five Cogs of Innovation

Conseguir enxergar além da gestão tradicional deve fazer parte dos objetivos de qualquer empresa. Adequar a forma de trabalho à realidade atual do mundo e superar paradigmas centenários sobre gestão empresarial nem sempre é fácil para uma organização. Entretanto, existem autores como Jurgen Appelo, Niels Pflaeging, Daniel Pink, Steve Denning e outros que estudam sobre o assunto e apontam alguns caminhos que podem ser seguidos. Empresas como Toyota, Semco, Google, Morning Star, Zappos, Handelsbanken, Webgoal, Bluesoft, Lambda3, Chaordic e tantas outras, provaram que é possível.

Especificamente, esse blog tem como objetivo compartilhar algumas ideias que tenho sobre como a gestão pode ser diferente da gestão tradicional. Quero apresentar técnicas, práticas e ferramentas para mostrar para outras pessoas e empresas maneiras de colocar em ação esses conceitos inovadores de gestão, compartilhando minhas experiências na Webgoal e discutindo os principais conceitos sobre agilidade, sistemas complexos, management 3.0, beyond budgeting, entre outros.

5 ideias sobre “Um blog sobre gestão

  1. Admilson Vieira

    Caro Prof. Matheus,

    Sou seu ex-aluno de pós em arquitetura da informação na FIT e venho acompanhando as suas iniciativas para desenvolver novos modelos de gestão, muito interessantes! Também venho pesquisando este tema há alguns anos e atualmente sou membro do Núcleo de Negócios do Instituto Integral Brasil. Este instituto é uma extensão do Integral Institute, organização criada por Ken Wilber nos EUA, você conhece?

    Resumidamente, Ken Wilber é um pensador contemporâneo e criou um Modelo Integral que hoje é aplicado em várias áreas do conhecimento, educação, saúde, sustentabilidade e negócios, além de outras. No Núcleo de Negócios estamos desenvolvendo um modelo que chamamos de Meta Modelo Integral de Gestão, que está sendo testado na Natura. Este modelo contempla tudo que já existe em gestão, incluindo a visão cartesiano-newtoniana da era industrial, comentada por você em seu artigo, mas permite incluir também a visão sistêmica, complexidade, teoria do caos, espiritualidade, meditação etc.

    Encontrei grande afinidade com a sua busca e linha de pensamento, gestão da felicidade (SWOT) etc., e acho que seria interessante compartilharmos algumas ideias.
    Aguardo seu retorno para agendarmos um momento para um bate-papo descontraído.

    Forte abraço,
    Admilson Vieira

    Responder
  2. Gilles B. de Paula

    Matheus

    Parabéns pelo blog! Muito legal! Gostei muito da maneira de pensar.

    PS: coloca um feedburner ou algo assim para podermos receber seus novos post por e-mail.

    Abraço e sucesso!

    Responder

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